Opinião do MPost
Enquanto Paris e Londres copiam nossas soluções simples e criativas de corredores de ônibus e reservam faixas de tráfego no viário para priorizar a circulação dos ônibus, alargamos vias para automóveis e planejamos modos mirabolantes de transporte coletivo passando por cima de nossas cabeças.
Alargar avenidas para aumentar a capacidade viária e dar mais fluidez ao trânsito de automóveis é uma solução que foi largamente utilizada no século passado, e que nos trouxe a situação de hoje - o caos do trânsito vivenciado diariamente pelos paulistanos.
Há outras apostas no passado, como a solução “Fura-Fila”, que reapareceu com novo nome: monotrilho, que tem a mesma capacidade de transporte de um corredor de ônibus bem operado (e sem ultrapassagem), embora seja uma solução muito mais cara e de muito maior intrusão no ambiente urbano.
É o mesmo minhocão que já conhecemos que deverá ser erguido sobre as avenidas por onde ele deverá passar. Exige obra civil de porte, subestações elétricas, importação de veículos etc... Solução que tira os corredores de ônibus da pauta e para com o papo de retirar o espaço viário já reservado aos carros.
Ainda vamos lamentar, e muito.
A obra da marginal do Tietê se enquadra nesta visão do futuro (ou do passado). Um investimento para os automóveis.
Não se pensou em pelo menos reservar uma faixa para a circulação dos ônibus, que poderia auxiliar o acesso ao aeroporto de Cumbica, por exemplo. A reforma da Marginal do Tietê é um investimento de pouca valia até para a mobilidade dos automóveis. No dia seguinte à sua inauguração a capacidade construída começará a ser entupida de carros. Rapidamente se estabelecerá um novo equilíbrio, só que mais automóveis ocuparão mais espaço viário porque alargar avenidas para o trânsito é o mesmo que enxugar gelo.
Resta comentar: qualquer intervenção no sistema viário estrutural da cidade sempre causará graves transtornos para o trânsito. O que deixa a população mais indignada, como é visto em reportagem publicada pelo MPost ontem - segue abaixo -, é a ação atabalhoada, sem planejamento, em época natalina, como atestam os discursos desencontrados do secretário de transporte do município e demais autoridades. São Paulo, e todos sabemos, é complexa demais para ser administrada com menos do que o máximo em planejamento e profissionalismo.
Leia também: Apoio Norte: solução para o trânsito na Marginal
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