Ocorrências de janeiro equivalem à metade do total registrado no ano passado; Prefeitura atrasa mapeamento
Quatro anos após a criação de um sistema de mapeamento de árvores em risco de queda, a Prefeitura de São Paulo só aplicou o programa em Perdizes, na área na Subprefeitura da Lapa. Por causa da morosidade, várias árvores caíram antes de poder ser identificadas como perigosas: só em janeiro, foram 1.039 ocorrências, quase a metade do registrado em todo ano passado (2.111), segundo o Corpo de Bombeiros. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) já contabilizou, nos primeiros cinco dias de fevereiro, 396 quedas de árvore - uma média de 79 por dia -, com reflexo sobre o trânsito da capital.
Batizado de Sistema de Gerenciamento da Arborização Urbana (Sisgau), o programa foi elaborado como parte de uma parceria firmada entre a Prefeitura e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) em 2003. Entre novembro daquele ano e junho de 2005, o instituto analisou 7.050 árvores em cinco subprefeituras de São Paulo e desenvolveu o Sisgau para sistematizar o resultado da pesquisa em um único inventário. Mas, até hoje, o Sisgau só chegou, de forma experimental, à subprefeitura da Lapa, onde o mapeamento começou no fim do ano passado e terminou em janeiro.
Técnicos da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente alegaram, na época da criação do software, que o sistema permitiria um acompanhamento eficiente das árvores, o que levaria a um tratamento preventivo que evitasse futuras quedas.
Segundo a coordenadora de Desenvolvimento do Sigaus, Maria Cristina Machado Domingues, o software poderia permitir a catalogação completa das árvores problemáticas. "O sistema guarda a localização de cada árvore e dados como as condições das raízes, do colo, do tronco e da copa. Também se identifica se tem fungo, cupim, broca, formiga ou outros organismos. Com esses dados, dá para retirar o risco de queda da árvore."
O último estudo empreendido pela Prefeitura que planejava identificar árvores em risco de queda na capital foi realizado pelo IPT em 2005. O levantamento, no entanto contemplou apenas 5 das 31 subprefeituras - Pinheiros, Vila Mariana, Sé, Santo Amaro e Lapa. De 5.200 árvores que foram selecionadas para avaliação pormenorizada, os técnicos concluíram que 18% apresentavam risco muito grande de queda e estavam condenadas. Outros 5% tinham risco médio de queda e 77%, um pequeno risco. Mas, desde então, ainda não houve outro levantamento do tipo feito pela Prefeitura que englobasse toda a cidade.
"Precisamos de um diagnóstico de risco, que aponte quantas árvores têm cavidade, cupim ou estão para cair", afirmou o engenheiro agrônomo e secretário da Regional Sudeste da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, Joaquim Teotônio Cavalcanti Neto. "Mas não existe esse inventário em São Paulo, que é uma das partes fundamentais para se planejar a estrutura urbana."
ATRASOSegundo a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, a justificativa pela demora para iniciar o uso do Sigaus é um aprimoramento que vem sendo feito no sistema desde então. A secretaria informa que a Companhia de Processamento de Dados do Município estava trabalhando para tornar o Sigaus "uma ferramenta eficiente".
Em outubro de 2009, a secretaria iniciou um trabalho de manutenção de árvores consolidadas (com diâmetro de cinco centímetros a um metro), nas regiões de Moema e Vila Mariana. Até o fim do ano, 7.347 árvores passaram pelo processo. O serviço é feito por uma empresa contratada de modo emergencial, por R$ 1,5 milhão.
Fonte:
O Estado de S. Paulo
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